Não adianta, todo ciclo tem um fim e você só tem dimensão disto quando inicia uma nova fase em sua vida. Ainda tenho uma ligação muito forte com a minha vida de auperiana, mas já consigo ver com clareza certas coisas.
Recapitulando: quis ser au pair pela primeira vez em 2006, mas decidi começar a faculdade, quis de novo em 2008, mas quis terminar a mesma e não queria deixar o namorado para trás. Me formei, voltei pra Londrina, estava morando com meu namorado, comecei a dar aula, comecei fazer minha pós na UEL, mas ainda assim, quis ser au pair. Tive um feeling por uma família, que por questões técnicas, o match não deu certo, a qual me indicou a minha host family.
No último dia de julho de 2011 embarquei para os EUA. No treinamento fiz amizade com a Julia e reafirmei laços com a linda da Jéssica e ainda lamentei o fato da Lores ter ido uma semana antes. Tinha muito claro o eu queria para meu ano de au pair, o perfil de família, schedule, vantagens e etc, e também fui muito esclarecida sobre as minhas responsabilidades e envolvimento na vida da minha família americana. Mas apesar de teóricamente tudo ter saído como o planejado, nada explica e atinge a dimensão real de estar vivendo tudo aquilo, de morar com pessoas entranhas, de criar laços de amor com elas, de conhecer pessoas que mudam e dão sentido em sua vida, que te mostra o quanto você é sensível, mas que ao mesmo tempo mostra que o plano do sonho e da realidade são tão próximos, que basta vontade e disciplina para transformar um em outro.
Eu só falei que ia para os EUA depois de ter feito match e para algumas pessoas, só depois que eu tirei o visto. E as reações geralmente são as mesmas: apoio condicional daquelas pessoas que conhecem a sua essência, espanto por outras que acreditam ser um disperdício deixar sua estabilidade para trás e a desaprovação por eu interromper minha carreira e minha vida acadêmica. Outras pessoas que você achavam importantes para ti, nem manifestão nada.
A minha preocupação era com o Fer, com a pós, com o "atraso" profissional que um ano fora acarreteria em minha vida. Difícil também foi dizer tchau para minha avó, mas eu tinha certeza que a veria de novo e também as pessoas lindas que cercam a minha vida, não ia ser a primeira e nem a última vez que eu iria embora.
Fui para ficar um ano, mas em um determinado momento não acharia que passaria dos seis meses, isto porque aflorou em mim um lado que eu nunca tinha tido. Sensível e emotiva ao extremo, eu não soube de início a lidar com a sensação de desconforto, de não ser quem eu sempre fui, aquela pessoa que não deixar nada passar, que briga, que luta, que constesta e então respira e analisa os fatos. Mas foi muito bom, porque aprendi que posso ser tudo isto, mas de uma forma muito mais ponderada e cordial e descobri em minha host family (aquilo que parecia desde antes do nosso match), um lugar de conforto, seguro e descobri que eu não estava sozinha.
Para mim, ter tido um ano (e sete meses) foi tão positivo por uma soma de fatores. Algumas meninas conseguem se ater a um ou outro fato, como as amizades, as viagens, o namorado, os fins de semana, mesmo que o schedule seja uma merda, ou que não seja ou se sinta parte da família. Eu não, só me senti feliz e realidaza quando eu atingi um todo. Ainda bem que sempre tive amigas lindas, mesmo antes de ir, como a Mayara, e realizei todas as viagens que desejei, mas não conseguiria e não consegui no começo fazer com que isto fosse o suficiente para me manter nos EUA.
A minha família foi determinante para me sentir feliz, em casa, para querer me abrir mais e não me contentar com pouco. Sempre me apoiaram tanto, nunca me fizeram me sentir nada menos que alguém especial e capaz de lutar pelos meus sonhos.
Mas todas pagam o preço de estar longe. Eu perdi o crescimento da Manuzinha, a formatura de amigos, alguns casamentos, a qualificação e a defesa do Fer. Perdi o reencontro das minhas lindas em Assis, perdi feriados. Alguns eu estava muito feliz lá, outros tudo que eu queria era a minha vida aqui.
Tive que estudar dobrando para a seleção do mestrado, parei o inglês, deixei de sair, dormir e aproveitava cada segundo da nap das kids para terminar meu projeto,ler um texto, para tentar entrar em um ritimo louco, o qual estava fora da minha vida por mais de um ano. E se eu não tivesse passado, provavelmente estaria em guerra comigo por ter estendido um ano e adiado mais um, o mestrado.
Mas valeu tanto a pena! Você se abre para o diferente, e coloca quem você é em evidência e mesmo o que você acredita. Apesar do gênio forte, eu "aprendi a aprender" e aceitar as diferenças, o mundo é muito maior do que eu pensava, eu poderia ter amigas completamente diferentes de mim e ainda aprenderia de cada uma delas uma qualidade, uma vontade de ser diferente e uma pessoa melhor.
Ratifiquei o que eu sabia: eu quero ser mãe, quero muito, e pra mim, uma criança é algo tão puro, tão lindo e para mim, é a realização máxima de amor entre três pessoas (duas, se preferir).
Aprendi que o material é importante, pela primeira vez na minha vida me dei o luxo de comprar o que tinha vontade, de viajar, de gastar, comer fora sempre, de não me preocupar com dinheiro. Mas não é o essêncial, se não nunca teria voltado.
Aprendi com a minha host family, incluindo os avós, que família é tudo que importa neste mundo. Que é um amor tão lindo e inexplicável. Aprendi a sonhar alto e realizar todos meus sonhos!
Se depois do mestrado eu ainda fosse solteira (todas torcem que não), consideraria ser au pair de novo, talvez em outro lugar, mas direcionado para o doutorado, porque viajar e comprar eu já fiz e viver duas vezes a mesma oportunidade e não fazer nada diferente, é sem sentido para mim.


2 comentários:
Ja estou te seguindo!!! =)
sempreee vale a pena, vc esta certissima!!
bj
Com certeza vale à pena! Ainda não terminei, mas estou quase completando meus 10 meses aqui, e já senti que valeu à pena lá no comecinho!! Que bom ver que você se sente tão realizada! Espero me sentir assim depois que voltar :)
Eu não sei se vc pensa em fazer um post sobre isso, mas eu tenho muita curiosidade em saber como fica o contato host family x au pair depois da volta - nos casos que a gente realmente gosta da hf e vice-versa. Seria muito interessante vc contar como ta sendo o contato desde que vc saiu da casa deles :)
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