Feito pra mim, bom pra você. Deixa mudar e confundir!

Lista de Desejos

quarta-feira, 24 de abril de 2013

2 meses e o contato com a host family (ex)

O (ex) foi apenas um meio explicativo, porque para mim eles sempre serão a minha familía americana! O post foi sugestão da Cláu, eu estava pensando em escrever sobre isto, mas queria esperar um pouco, porque todo começo é meio incerto e ainda tem aquela questão emocional.
Hoje eu me dei conta que já é dia 24/04, dois meses desde que saí de Denver! O tempo pra mim ganhou uma dimensão diferente, na verdade voltou ser o que era, então perdi a noção de tudo e já se foram dois meses. Pra mim passou voando devido a correria da minha vida, semana passada e esta semana está sendo as mais loucas, por isto aproveitei um momento de folga pra vir escrever (folga forçada).
Eu fiquei visivelmente abatida em setembro quando achei que viria embora em novembro, emagreci, chorei, sofri, morria de medo da hora de despedir da minha família e sofri demais. A mesma coisa em janeiro, mas desta vez eu sabia que voltaria para o Brasil para seguir a minha vida, com um motivo concreto e devido a correria de volta pra casa tem dias que estava muito triste, mas na maioria estava tudo corrido e eu queria era curtir minhas crianças, meus host e meus avôs.
Quem acompanha minha história sabe que além de ter tido uma host family incrível, sabe que eu era totalmente alucinada pelos pais da minha host e tinha um carinho enorme pelo os do meu host, sempre tivemos uma relação muito íntima , afetiva e com muito amor e respeito. Tanto meus host como os pais da minha host sabiam tudo de mim, a avó sempre foi minha amiga, minha conselheira, minha linda... Desde o começo, quando eu passava os dias com ela. 
No meio dos meus transtornos e do flu, minha host me mandou uma text dizendo que me amava muito e prometeu que nos veríamos de novo! Eu acreditei. Eles prometeram que vão tentar vir pro nosso casamento, caso não consigam, que podemos nos encontrar em algum país (tipo México) e claro, as portas estão abertas para eu visita-los. Eu sei que se eu quisesse ter ficado pra sempre lá, eles iam me ajudar, mas eles sabiam que eu precisava vir. Nossa relação sempre foi tão intensa (no lado bom e ruim) que eu achava que não ia viver sem eles, porque quando eu fui, eu sabia que voltaria e reveria todos meus amores. Mas e eles, quando os veriam de novo? E minhas kids?
Gente, cobrar família perfeita, todo mundo cobra, agora querer ser uma boa au pair é outra história. Podem falar qualquer coisa de mim, mas ninguém pode falar que eu não amo aquelas crianças, que eu sou apaixonada por elas e sempre fui completamente envolvida. Sempre fiz questão de brincar, educar, amar, registrar cada momento. Chorei e me emocionei demais com eles. Nas primeiras semanas eu sonhava demais com eles e chorava muito.
A escolha de uma au pair brasileira era para ela continuar com o português, mas também facilitasse o meu contato com as kids e confesso que fiquei muito chateada no meu primeiro mês. Eu tentava de todas as formas marcar um skype com as kids e a nova au pair, saber deles, trocar mensagem e nada. Alias, tive notícia na primeira semana, os vi um pouco, mas depois nada. Minha host me ligou no facetime e nos falamos duas vezes. Mas aí depois entendi que a P tinha o tempo dela, que o pc dela está quebrado, que as kids dormem demais, que ela não entra mesmo na net como eu pensava que entrava, mas isto não quer dizer que ela não tem boa vontade comigo, porque ela sabe o quanto eu amo aqueles lindos e o quanto ela é especial para mim (fiquei chateada no começo porque achei que não era recíproco, mas eu sei que é). Mas conseguimos conversar bastante semana passada e foi tão lindo, a I, o M e a P, eu sei que eles estão felizes e eu também estou, eu acho que isto é amor né? O bem de quem se ama vem em primeiro lugar. A I ainda me chama de Chessa, o M me chamou de Vanessa, sei não se gostei. rsrs Ele falou um monte, um LINDO LINDO LINDO! "Ai que frio", ele falando assim me matou de tanta emoção.
Minha host me mandou um email lindo com a ultima foto que tirou de mim no aeroporto (eu ainda estava em Miami), nos falamos muito na primeira semana, agora é meio esporádico, mas eu sei de tudo sobre eles. Ela sempre fala como estão as kids, que eles sentem a minha falta, que ela vai viajar e etc. Meu host também me escreveu, trocamos mensagens  fotos de páscoa. Ela comentou e me ligou quando viu do noivado no FB e ontem mesmo me tagou numa foto (ela está no México) "For my brazilian girl". Uma linda.
Eu trouxe sem querer a chave da van, mandei junto com um desenho para as kids, um bilhete e semana passada mandei cartão do dia das mães para ela, a mãe dela, a sogra e para minha mãe. Mês que vem fará dois anos que eles entraram na minha vida e mudou minha concepção de vida, de amar, de tudo.
MAS tenho que dizer o motivo que eu amo tanto a mãe da minha host, nos falamos SEMPRE, toda semana, no começo era todos os dias (emails pequenos), agora são email gigantes! Ela é uma linda, sempre conta quando as kids falam de mim, conta dons fins de semana, das atividades das kids, das viagens dos meus host, de como as kids estão com a P e sempre se preocupa comigo, pergunta cada detalhe. Ela está acompanhando os detalhes do casamento, do apartamento, do mestrado, minhas viagens. A avó é uma benção em minha vida. O vô também me manda mensagm, o aniversário dele foi em março, dei o presente e um cartão, ele abriu antes da hora e me mandou a mensagem mais linda do universo.
Falo muito com a mãe do meu host também, mande adiantado cartão pro pai do meu host, trocamos vários emails, ela me contou  toda  a visita da minha family com eles no Arizona, enfim, me sinto muito, mas muito querida por todos.
Claro que meu plano ideal era ver minhas kids sempre, pelo menos uma vez por semana, ver meus host, falar com as minhas amigas (incluindo a P), a gente trocar juras de amor. Alias, isto a gente troca e me deixa muito feliz. Mas eu sei como eles são ocupados, mas mesmo assim eles sempre dão um jeitinho de se lembrarem de mim, seja contando como as kids estão, mandando fotos, ligando no facetime ou os emails de todos.
Eu não sei se eles virão para o casamento, se vierem, vai ser a maior felicidade do mundo, porque eu sinto tanta falta de todos, das conversas, dos abraços, da nossa amizade... Quero minhas kids como daminhos e meus host como padinhos, não custa tentar né?
Tem hora que bate aquela dorzinha de saber que fui substituída (voluntariamente), que as kids já amam a P, que eles tem uma nova vida juntos. Mas eu não posso reclamar que tive o meu momento e mesmo que tenha acabado, eles estão e estarão em minha vida. Meu coração já se acalmou, eu acho que é a correria do dia a dia, a vida aqui, o Fer, preparativos pro casamento, mestrado, artigos, estudar pra concurso.
Enfim, eu faço minha parte de ficar enchendo o saco da P... rs coitada, pra poder vê-la e ver as kids, mando mensagem, escrevo pros meus host e adoro responder os emails das avós. Eu amo e sempre vou amar minha host family, eles se tornaram parte de mim.
Ainda quero fazer um post das mensagens lindas que eles me escreveram :)

p.s todo mundo sempre fala :as memórias boas são sempre as que ficam. Eu até tentava pensar isto nos momentos difíceis, mas eu achava besteira ficar justificando uma situação, então sofri mesmo quando era para sofer. Mas só ficou as memórias boas, lindas, de uma experiência inesquecível.

E uma listinha rápida de dois meses:

  • Estou mais que adaptada ao Brasil.
  • Não estou adaptada a ficar sem trabalhar.
  • Engordei :(.
  • Entrei na rotina, finalmente (foi muito dificil, dormia tarde, acordava cedo, vivia com sono)
  • Fui para uma cervejada.
  • Terminei meu primeiro artigo acadêmico (enquanto mestranda)
  • Me inscrevi em 4 eventos e fui aceita em 3 (outro ainda não sei)
  • TENHO UMA SUPER NOVIDADE, MAS CONTO DEPOIS
  • Ainda não marcamos a data, falta tempo até pra isto.
  • Já me arrependi de ter voltado (quando não tenho dinheiro nem pra ir pra academia ou para um evento)
  • Não malhei ainda.
  • Já planajei viagens.
  • Chorei de saudades mais de uma vez, a última foi quando arrumei minha caixinha de lembrança.
  • Chorei de felicidade pela vida que tenho aqui.
Minha caixa de memórias, todos meus cartões, cartas, convites, ingressos e etc...

terça-feira, 16 de abril de 2013

Aos meus filhos.

O que eu sempre lia sobre as crianças americanas é que elas eram mimadas, tinham tudo que queriam e eram criadas de uma maneira bem diferente que a gente, fato que é verdade, mas muito mais complexo do que se parece.

(Estou abrindo este parêntese porque antes de ir para os EUA, a tia do Fer que foi para lá algumas vezes, disse que ficou admirada com a educação das kids americanas, que eles sempre pediam por favor e ouvia os pais quando eles falavam não, ou quando não compravam o que elas queriam, por exemplo. E que elas sabiam se portar de forma geral).

Quando eu era au pair eu pensava que ela estava completamente errada, porque as crianças muitas vezes tinham a última palavra e vivenciei dirata e indiretamente várias situações que eu pensava "se fosse no Brasil, ou melhor, se fosse na minha época" seria tão diferente. Primeiro de tudo as crianças americanas são mimadas, não existe O brinquedo de Natal ou O brinquedo de aniversário, mas os 500 brinquedos em cada ocasião e em dias comuns. Elas falam o que quer comer, como comer e o que assistir e nem precisam ser muito grande para isto, dois anos já batem boca e dão a última palavra.
Meus host sempre me deram total liberdade de educar minhas crianças, aprendi com eles muitas coisas, mas ensinei também. Claro que nunca relei nas kids e nem acho que eu precisava (mas teve situações com os pais que, se eu fosse o pai ou mãe, não sei o que faria), apesar de arteiros, eles sempre ouviram muito e entenderam bem.
Mas o que eu quero dizer é que, apesar de não querer mimar meus filhos como os americanos mimam ou deixar uma criança dizer o que quer e como quer, tem muita coisa que aprendi com eles, que quero fazer com os meus filhos.
"Time out" aplicado da forma correta é a melhor forma de educar que existe, apesar das palmadas da minhã mãe ter me ajudado a entender o que é certo e errado, ela poderia sim, muitas vezes ter usado as palavras. Pegar a criança e por de castigo, por 2, 3, 5 minutos (em casa dependia da idade) e depois conversar, perguntar porque ela estava de castigo, se certificar que ela entendeu o motivo e aí se desculpar. Claro que se você colocar a kid sempre pelo mesmo motivo tem que mudar a maneira de disciplinar.
Outra coisa é o planejamento familiar e financeiro em relação as crianças antes mesmo de projeta-la: pensar onde morar, como morar, se terão condições de ter  um ou dois filhos... Ou seja, ter estrutura para ter filhos. Claro que eu tiro como exemplo a minha host family, os avós paternos e maternos das crianças, que são excelentes pais. (Tem família que tem tudo isto, mas não participam de nada na criação das crianças).
O que quero deixar CLARO, eu não acho que americanos criam seus filhos de forma melhor que brasileiro, pelo contrário, tem muita falha, são ausentes, permitem que as crianças ditem muitas regras, mas tudo isto a gente sabe, sabe de ouvir ou viverá no cotidiano de ano de au pair.
Mas além do "time out", a rotina que se dá para criança é algo extremamente positivo. Minhas kids tinham restrições em relação a TV (meus host nunca falaram nada, mas eu seguia a rotina deles com os pais, logo limitava o tempo deles), não comiam besteira, tinham uma dieta muito saudável, vão a escola e tem milhares de atividades. Mas ao mesmo tempo eles sempre puderam ser criança, de aprender fazendo, sabe? Diz que não, beleza, fez machucou e aprendeu, meus host nunca entraram em pânico por nada, nunca foram super protetores. Sempre deixavam eles desafiar os limites, subir em qualquer canto, pintar de forma desenfreada, correr, fazer esportes. As crianças além de serem crianças, sempre foram muito felizes e sempre tiveram total apoio para desenvolver suas potências individuais. A I cresceu com português, o M aprendeu a falar muito cedo e a andar, mas tinha preguiça de se vestir, enquanto a I com menos de dois anos se arrumava sozinha.
Eu amo e quero ensinar para meus filhos que eles tem que comer saudável, que criança com um ano  e meio saí do bico convencional da mamadeira, com dois anos tem que tomar leite no copo, que não precisa de chupeta pra ser feliz e muito menos de 3 horas na frente da TV. Quero ensinar para as minhas crianças que 8pm já podem ir para cama, que não precisa ter vida de mini-adultos, que tem hora para tomar banho diariamente, pra comer, inclusive snack. Rotina não é algo negativo, pode ser ter horários certos e dias totalmente diversificados.
Nunca vou esquecer da carta que a avó me escreveu e citou um acontecimento com a minha baby, que na aula da ginástica ela ganhou um carimbo e saiu andando, eu peguei na mão dela e a fiz voltar e agradecer, ela não queria falar, mas falou. Eu a ensinei assim, mas aprendi a pegar no pé das crianças porque sempre vi a mãe e pai fazendo questão deles falarem "please, thank you, sorry" mesmo antes deles falarem eles já faziam sinais.
Aqui no Brasil vejo criança derrubando mercado, gritando com os pais, acordadas vendo novela quase 10 horas da noite. Meu guri era muito levado, mas se saia comigo, sempre ouvia o "não", assim como a minha baby.
Crianças de 5 anos mamando no PEITO (em pé...rs), chupando chupeta, dedo, mamando mamadeira com suco, leite e etc. Criança que xinga os pais e nem um "time out" ganha. Ou pais gritando e batendo, assim, do nada, sem uma conversa ou explicação.
Claro que nos EUA é mais barato e fácil, mas sempre fiquei admirada com a preocupação dos pais em dar não só a melhor educação formal, mas sempre incentivaram a ida aos parques, museus, piscinas e etc...
E o ponto mais crucial: criança não é extensão de pai e mãe e pronto. Essa coisa de dormir na cama com os pais, no mesmo quarto, pai dormindo na sala porque a criança só dorme com a mãe. Mas me diz, como é que vive desse jeito? Como quer ter um filho independente se os pais não incentivam a criança crescer sozinha?
Aos meus filhos eu quero ensinar que criança tem que ser criança e isto incluí desenvolver suas potencias, mas deixa-los livres, aprender fazendo, mas ao mesmo tempo, dentro de um horário uma rotina. Criança não precisa de refrigerante, TV em excesso, de leite com chocolate ou de dormir com os pais para estar segura. Quero ensinar limites, quero que eles respeitem os deles. Quero ensinar o que aprendi com meus host, mas principalmente quero ser como a minha mãe foi comigo.
Depois que fui au pair, contra o esperado, mais do que nunca eu quero ser mãe e desde já, junto com o Fer sempre conversamos e tentamos nos preparar emocionalmente para que tipo de pais vamos ser, mesmo que no final, sejamos completamente diferentes.
Claro que o fato de ter alguém que ajude e possibilite todas essas atividades é muito mais fácil, meus host sempre agradeceram o fato de eu organizar as nossas semanas de maneira sempre diversificada e trabalhando o dia todo, é meio evidente que a criança ficará na escola e quando chega em casa ta todo mundo cansando. Mas mesmo assim quero ter energia o suficiente para ser mãe.
Último fator é como desde de cedo há uma valorização dos livros, no Brasil é muito mais caro um livro infantil e a venda é bem mais limitada, mas mesmo assim tem como dar um jeitinho. Eu "criei" meu irmão e livro sempre foi um presente, tão especial como um brinquedo. Quando era pequeno ele folheava os livros de imagens, mas assim que começou a ler eu pegava os livros infantis da biblioteca pública e da UNESP e ele devorava! Isto foi determinante na formação dele.
Concluindo, a criação americana é como eu ouvia falar, eu lia e como eu vivi, mas ao mesmo tempo a tia do Fernando estava certa...

E vocês meninas, o que querem levar e ensinar para seus filhos do que aprendeu  como au pair?

p.s eu adorei a sugestão da Cláú, próximo post será sobre meu atual relacionamento com a minha (ex)host family.




terça-feira, 2 de abril de 2013

Valeu tanto a pena!

Não adianta, todo ciclo tem um fim e você só tem dimensão disto quando inicia uma nova fase em sua vida. Ainda tenho uma ligação muito forte com a minha vida de auperiana, mas já consigo ver com clareza certas coisas.

Recapitulando: quis ser au pair pela primeira vez em 2006, mas decidi começar a faculdade, quis de novo em 2008, mas quis terminar a mesma e não queria deixar o namorado para trás. Me formei, voltei pra Londrina, estava morando com meu namorado, comecei a dar aula, comecei fazer minha pós na UEL, mas ainda assim, quis ser au pair. Tive um feeling por uma família, que por questões técnicas, o match não deu certo, a qual me indicou a minha host family.
No último dia de julho de 2011 embarquei para os EUA. No treinamento fiz amizade com a Julia e reafirmei laços com a linda da Jéssica e ainda lamentei o fato da Lores ter ido uma semana antes. Tinha muito claro o eu queria para meu ano de au pair, o perfil de família, schedule, vantagens e etc, e também fui muito esclarecida sobre as minhas responsabilidades e envolvimento na vida da minha família americana. Mas apesar de teóricamente tudo ter saído como o planejado, nada explica e atinge a dimensão real de estar vivendo tudo aquilo, de morar com pessoas entranhas, de criar laços de amor com elas, de conhecer pessoas que mudam e dão sentido em sua vida, que te mostra o quanto você é sensível, mas que ao mesmo tempo mostra que o plano do sonho e da realidade são tão próximos, que basta vontade e disciplina para transformar um em outro.
Eu só falei que ia para os EUA depois de ter feito match e para algumas pessoas, só depois que eu tirei o visto. E as reações geralmente são as mesmas: apoio condicional daquelas pessoas que conhecem a sua essência, espanto por outras que acreditam ser um disperdício deixar sua estabilidade para trás e a desaprovação por eu interromper minha carreira e minha vida acadêmica. Outras pessoas que você achavam importantes para ti, nem manifestão nada. 
A minha preocupação era com o Fer, com a pós, com o "atraso" profissional que um ano fora acarreteria em minha vida. Difícil também foi dizer tchau para minha avó, mas eu tinha certeza que a veria de novo e também as pessoas lindas que cercam a minha vida, não ia ser a primeira e nem a última vez que eu iria embora.
Fui para ficar um ano, mas em um determinado momento não acharia que passaria dos seis meses, isto porque aflorou em mim um lado que eu nunca tinha tido. Sensível e emotiva ao extremo, eu não soube de início a lidar com a sensação de desconforto, de não ser quem eu sempre fui, aquela pessoa que não deixar nada passar, que briga, que luta, que constesta e  então respira e analisa os fatos. Mas foi muito bom, porque aprendi que posso ser tudo isto, mas de uma forma muito mais ponderada e cordial e descobri em minha host family (aquilo que parecia desde antes do nosso match), um lugar de conforto, seguro e descobri que eu não estava sozinha.
Para mim, ter tido um ano (e sete meses) foi tão positivo por uma soma de fatores. Algumas meninas conseguem se ater a um ou outro fato, como as amizades, as viagens, o namorado, os fins de semana, mesmo que o schedule seja uma merda, ou que não seja ou se sinta parte da família. Eu não, só me senti feliz e realidaza quando eu atingi um todo. Ainda bem que sempre tive amigas lindas, mesmo antes de ir, como a Mayara, e realizei todas as viagens que desejei, mas não conseguiria e não consegui no começo fazer com que isto fosse o suficiente para me manter nos EUA.
A minha família foi determinante para me sentir feliz, em casa, para querer me abrir mais e não me contentar com pouco. Sempre me apoiaram tanto, nunca me fizeram me sentir nada menos que alguém especial e capaz de lutar pelos meus sonhos.
Mas todas pagam o preço de estar longe. Eu perdi o crescimento da Manuzinha, a formatura de amigos, alguns casamentos, a qualificação e a defesa do Fer. Perdi o reencontro das minhas lindas em Assis, perdi feriados. Alguns eu estava muito feliz lá, outros tudo que eu queria era a minha vida aqui.
Tive que estudar dobrando para a seleção do mestrado, parei o inglês, deixei de sair, dormir e aproveitava cada segundo da nap das kids para terminar meu projeto,ler um texto, para tentar entrar em um ritimo louco, o qual estava fora da minha vida por mais de um ano. E se eu não tivesse passado, provavelmente estaria em guerra comigo por ter estendido um ano e adiado mais um, o mestrado.
Mas valeu tanto a pena! Você se abre para o diferente, e coloca quem você é em evidência e mesmo o que você acredita. Apesar do gênio forte, eu "aprendi a aprender" e aceitar as diferenças, o mundo é muito maior do que eu pensava, eu poderia ter amigas completamente diferentes de mim e ainda aprenderia de cada uma delas uma qualidade, uma vontade de ser diferente e uma pessoa melhor.
Ratifiquei o que eu sabia: eu quero ser mãe, quero muito, e pra mim, uma criança é algo tão puro, tão lindo e para mim, é a  realização máxima de amor entre três pessoas (duas, se preferir).
Aprendi que o material é importante, pela primeira vez na minha vida me dei o luxo de comprar o que tinha vontade, de viajar, de gastar, comer fora sempre, de não me preocupar com dinheiro. Mas não é o essêncial, se não nunca teria voltado.
Aprendi com a minha host family, incluindo os avós, que família é tudo que importa neste mundo. Que é um amor tão lindo e inexplicável. Aprendi a sonhar alto e realizar todos meus sonhos!
Se depois do mestrado eu ainda fosse solteira (todas torcem que não), consideraria ser au pair de novo, talvez em outro lugar, mas direcionado para o doutorado, porque viajar e comprar eu já fiz e viver duas vezes a mesma oportunidade e não fazer nada diferente, é sem sentido para mim.
Enfim, você ganha e perde estando este tempo fora, "pausando" sua vida no Brasil. Mas o saldo pra mim foi positivo e valeu muito a pena e indico para todas as meninas que tenham vontade de se jogar neste mundo.

Pra matar um pouquinho da saudade.