Voltar para uma vida que você teve, é aprender a andar de novo. Por mais que muitas coisas a gente nunca vai esquecer, o estranhamento é evidente. Tudo aqui no Brasil foi seguindo seu rumo, mudando, e eu estava lá, aí voltei e tive que pular num trem que continuou em movimento.
Voltar é difícil, se adaptar também. Mas é neste ponto que a readaptação será um exercício de paciência, de esforço, de dedicação e principalmente da crença quase cega de que tudo dará certo. Cega não quer dizer que você não fara nada, mas é muito mais fácil reclamar, desistir, jogar tudo para o ar, do que tentar. E não será fácil, então manter o foco é algo que você terá ter sempre em mente.
Não vou dizer da saudade emocional que sinto dos EUA, das pessoas, do cotidiano.
Mas como não sentir falta de não ter conta para pagar? De meu seu salário semanal para gastar e pronto. Seja em viagens, roupas, maquiagens, cursos. Como não sentir saudade do celular ilimitado, do carro, da educação das pessoas no trânsito e na praticidade de sacar e depositar dinheiro sem abrir a porta do seu carro?! Saudade de pagar academia, sair dia de semana pra comer, ir ao cinema.
Não, não estou vivendo uma vida de miséria no Brasil, mas é a vida que tive antes de ir. Sem carro, celular pré-pago, dinheiro contado.
Mas eu nunca estive tão certa do que quero para a minha vida, com tanta vontade de dar certo, de lutar, de crescer e ter novos objetivo. Por motivos de força maior, não pude concorrer a bolsa de mestrado, o estado não está chamando os professores eventuais, o concuso para efetivo será apenas em maio e como é que eu estou achando a vida boa?.
Ter perscpectiva de futuro para mim não tem preço. Eu quero fazer o TOEFL, então estou estudando em casa e avó linda das minhas kids está me ajudando, trocamos emails quase todos os dias, ela sempre corrige os meus erros e explica o que é o certo. Vou começar um curso on line, ofecido pelo MEC e pela CAPES, assim vou praticando e no fim do ano quero fazer o teste, mas por que?
Vou terminar meu mestrado no Brasil, mas decidi que quero fazer o doutorado fora. Seja parte dele, ou mesmo inteiro, estou aberta a possibilidades. Mas queria EUA, Portugal, França ou Japão. Mas aí perguntam "cadê o seu amor pelo Brasil?", ele é uma das maiores motivação que eu tenho! É por isto que quis fazer História, por isto que me formei na universidade que eu amo, mas quis ir para outra, porque queria um suporte para minhas ideias, uma materialização para a contribuição de um ensino melhor. E quero ter a oportunidade de interagir com outros pesquisadores, de aprender mais e aí voltar e aplicar tudo que estudei em todas as esferas de ensino.
A vida está sendo muito boa comigo, mas não é e nunca foi fácil. Nestas horas eu penso que além de determinação, o amor é o que mais importa. O amor do amor, da família, de pessoas que te colocam para cima quando você acha que tudo está perdido. De pessoas que acreditam em você quando tudo parece errado.
Eu estou adaptada e feliz.
As aulas no mestrado estão boas, mas mais ainda, minha vida enquanto "pesquisadora". Já encontrei três eventos neste semestre que quero apresentar trabalho, um deles, é na minha amada UNESP. O outro é um desafio maior, como não estou trabalhando, não sei se será possível. Mas quero e vou fazer o possivel para apresentar meu trabalho no Chile.
Meus dias estão dividos em estudar, estudar e estudar. O que diferencia um peíodo do outro é conteúdo: estudar pro concurso, ler os textos das aulas, escrever para eventos e pensar na minha dissertação. E claro, curtir o amor e os amigos. Estes são lindos, perfeitos e faz tudo mais fácil e gostoso.
Ainda bem que existe internet para manter contato com as minhas lindas dos EUA e as minhas amigas que voltaram. Ainda bem que existe Voxer, Viber, Skype. Ainda bem que existe a amizade.
Eu ainda acho as ruas sujas, as pessoas no geral má educadas, o trânsito perigoso, o copo pequeno, os dias quentes. Mas tem tanta coisa maior para eu me apegar, lutar e acreditar. O mais gostoso é fechar os olhos e pensar "estou exatamente aonde eu queria estar, com a experiência de vida que sonhei pra mim", então a vida segue em frente.
Me sinto mais disposta, acho que estou produzindo mais, estou no caminho certo.
Hoje pela primeira vez depois de 1 ano e 8 meses eu peguei a moto, dirigi sozinha, estava com tanto medo, mas depois eu só conseguia sentir uma felicidade indiscritivel e pensar "eu consegui!"
Feliz porque uma das minhas melhores amiga da faculdade está para chegar e pasar o fim de semana com a gente.
Feliz por ter alguém comigo sempre, que me ama tanto. Feliz.
E estou conseguindo.
Boa noite meninas e meninos.

1 comentários:
Van, seus posts são ótimos. O jeito que você escreve...eu to lendo os que eu não tinha lido ainda e me perdendo aqui. É super gostoso de ler! Parabéns :)
Eu espero me sentir tão feliz e realizada quando você quando voltar pra casa. Fico feliz que sua experiência tenha sido boa e agora você tenha uma bagagem do jeito que você sonhava! :)
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