O que eu sempre lia sobre as crianças americanas é que elas eram mimadas, tinham tudo que queriam e eram criadas de uma maneira bem diferente que a gente, fato que é verdade, mas muito mais complexo do que se parece.
(Estou abrindo este parêntese porque antes de ir para os EUA, a tia do Fer que foi para lá algumas vezes, disse que ficou admirada com a educação das kids americanas, que eles sempre pediam por favor e ouvia os pais quando eles falavam não, ou quando não compravam o que elas queriam, por exemplo. E que elas sabiam se portar de forma geral).
Quando eu era au pair eu pensava que ela estava completamente errada, porque as crianças muitas vezes tinham a última palavra e vivenciei dirata e indiretamente várias situações que eu pensava "se fosse no Brasil, ou melhor, se fosse na minha época" seria tão diferente. Primeiro de tudo as crianças americanas são mimadas, não existe O brinquedo de Natal ou O brinquedo de aniversário, mas os 500 brinquedos em cada ocasião e em dias comuns. Elas falam o que quer comer, como comer e o que assistir e nem precisam ser muito grande para isto, dois anos já batem boca e dão a última palavra.
Meus host sempre me deram total liberdade de educar minhas crianças, aprendi com eles muitas coisas, mas ensinei também. Claro que nunca relei nas kids e nem acho que eu precisava (mas teve situações com os pais que, se eu fosse o pai ou mãe, não sei o que faria), apesar de arteiros, eles sempre ouviram muito e entenderam bem.
Mas o que eu quero dizer é que, apesar de não querer mimar meus filhos como os americanos mimam ou deixar uma criança dizer o que quer e como quer, tem muita coisa que aprendi com eles, que quero fazer com os meus filhos.
"Time out" aplicado da forma correta é a melhor forma de educar que existe, apesar das palmadas da minhã mãe ter me ajudado a entender o que é certo e errado, ela poderia sim, muitas vezes ter usado as palavras. Pegar a criança e por de castigo, por 2, 3, 5 minutos (em casa dependia da idade) e depois conversar, perguntar porque ela estava de castigo, se certificar que ela entendeu o motivo e aí se desculpar. Claro que se você colocar a kid sempre pelo mesmo motivo tem que mudar a maneira de disciplinar.
Outra coisa é o planejamento familiar e financeiro em relação as crianças antes mesmo de projeta-la: pensar onde morar, como morar, se terão condições de ter um ou dois filhos... Ou seja, ter estrutura para ter filhos. Claro que eu tiro como exemplo a minha host family, os avós paternos e maternos das crianças, que são excelentes pais. (Tem família que tem tudo isto, mas não participam de nada na criação das crianças).
O que quero deixar CLARO, eu não acho que americanos criam seus filhos de forma melhor que brasileiro, pelo contrário, tem muita falha, são ausentes, permitem que as crianças ditem muitas regras, mas tudo isto a gente sabe, sabe de ouvir ou viverá no cotidiano de ano de au pair.
Mas além do "time out", a rotina que se dá para criança é algo extremamente positivo. Minhas kids tinham restrições em relação a TV (meus host nunca falaram nada, mas eu seguia a rotina deles com os pais, logo limitava o tempo deles), não comiam besteira, tinham uma dieta muito saudável, vão a escola e tem milhares de atividades. Mas ao mesmo tempo eles sempre puderam ser criança, de aprender fazendo, sabe? Diz que não, beleza, fez machucou e aprendeu, meus host nunca entraram em pânico por nada, nunca foram super protetores. Sempre deixavam eles desafiar os limites, subir em qualquer canto, pintar de forma desenfreada, correr, fazer esportes. As crianças além de serem crianças, sempre foram muito felizes e sempre tiveram total apoio para desenvolver suas potências individuais. A I cresceu com português, o M aprendeu a falar muito cedo e a andar, mas tinha preguiça de se vestir, enquanto a I com menos de dois anos se arrumava sozinha.
Eu amo e quero ensinar para meus filhos que eles tem que comer saudável, que criança com um ano e meio saí do bico convencional da mamadeira, com dois anos tem que tomar leite no copo, que não precisa de chupeta pra ser feliz e muito menos de 3 horas na frente da TV. Quero ensinar para as minhas crianças que 8pm já podem ir para cama, que não precisa ter vida de mini-adultos, que tem hora para tomar banho diariamente, pra comer, inclusive snack. Rotina não é algo negativo, pode ser ter horários certos e dias totalmente diversificados.
Nunca vou esquecer da carta que a avó me escreveu e citou um acontecimento com a minha baby, que na aula da ginástica ela ganhou um carimbo e saiu andando, eu peguei na mão dela e a fiz voltar e agradecer, ela não queria falar, mas falou. Eu a ensinei assim, mas aprendi a pegar no pé das crianças porque sempre vi a mãe e pai fazendo questão deles falarem "please, thank you, sorry" mesmo antes deles falarem eles já faziam sinais.
Aqui no Brasil vejo criança derrubando mercado, gritando com os pais, acordadas vendo novela quase 10 horas da noite. Meu guri era muito levado, mas se saia comigo, sempre ouvia o "não", assim como a minha baby.
Crianças de 5 anos mamando no PEITO (em pé...rs), chupando chupeta, dedo, mamando mamadeira com suco, leite e etc. Criança que xinga os pais e nem um "time out" ganha. Ou pais gritando e batendo, assim, do nada, sem uma conversa ou explicação.
Claro que nos EUA é mais barato e fácil, mas sempre fiquei admirada com a preocupação dos pais em dar não só a melhor educação formal, mas sempre incentivaram a ida aos parques, museus, piscinas e etc...
E o ponto mais crucial: criança não é extensão de pai e mãe e pronto. Essa coisa de dormir na cama com os pais, no mesmo quarto, pai dormindo na sala porque a criança só dorme com a mãe. Mas me diz, como é que vive desse jeito? Como quer ter um filho independente se os pais não incentivam a criança crescer sozinha?
Aos meus filhos eu quero ensinar que criança tem que ser criança e isto incluí desenvolver suas potencias, mas deixa-los livres, aprender fazendo, mas ao mesmo tempo, dentro de um horário uma rotina. Criança não precisa de refrigerante, TV em excesso, de leite com chocolate ou de dormir com os pais para estar segura. Quero ensinar limites, quero que eles respeitem os deles. Quero ensinar o que aprendi com meus host, mas principalmente quero ser como a minha mãe foi comigo.
Depois que fui au pair, contra o esperado, mais do que nunca eu quero ser mãe e desde já, junto com o Fer sempre conversamos e tentamos nos preparar emocionalmente para que tipo de pais vamos ser, mesmo que no final, sejamos completamente diferentes.
Claro que o fato de ter alguém que ajude e possibilite todas essas atividades é muito mais fácil, meus host sempre agradeceram o fato de eu organizar as nossas semanas de maneira sempre diversificada e trabalhando o dia todo, é meio evidente que a criança ficará na escola e quando chega em casa ta todo mundo cansando. Mas mesmo assim quero ter energia o suficiente para ser mãe.
Último fator é como desde de cedo há uma valorização dos livros, no Brasil é muito mais caro um livro infantil e a venda é bem mais limitada, mas mesmo assim tem como dar um jeitinho. Eu "criei" meu irmão e livro sempre foi um presente, tão especial como um brinquedo. Quando era pequeno ele folheava os livros de imagens, mas assim que começou a ler eu pegava os livros infantis da biblioteca pública e da UNESP e ele devorava! Isto foi determinante na formação dele.
Concluindo, a criação americana é como eu ouvia falar, eu lia e como eu vivi, mas ao mesmo tempo a tia do Fernando estava certa...
Claro que o fato de ter alguém que ajude e possibilite todas essas atividades é muito mais fácil, meus host sempre agradeceram o fato de eu organizar as nossas semanas de maneira sempre diversificada e trabalhando o dia todo, é meio evidente que a criança ficará na escola e quando chega em casa ta todo mundo cansando. Mas mesmo assim quero ter energia o suficiente para ser mãe.
Último fator é como desde de cedo há uma valorização dos livros, no Brasil é muito mais caro um livro infantil e a venda é bem mais limitada, mas mesmo assim tem como dar um jeitinho. Eu "criei" meu irmão e livro sempre foi um presente, tão especial como um brinquedo. Quando era pequeno ele folheava os livros de imagens, mas assim que começou a ler eu pegava os livros infantis da biblioteca pública e da UNESP e ele devorava! Isto foi determinante na formação dele.
Concluindo, a criação americana é como eu ouvia falar, eu lia e como eu vivi, mas ao mesmo tempo a tia do Fernando estava certa...
E vocês meninas, o que querem levar e ensinar para seus filhos do que aprendeu como au pair?
p.s eu adorei a sugestão da Cláú, próximo post será sobre meu atual relacionamento com a minha (ex)host family.

1 comentários:
Oie Vanessa
Concordo com tudo o q vc disse!
Aqui na Irlanda não é muito diferente daí não...
O que mais me deixa de boca aberta aqui é como os "pais" são pais mesmo, de chegar do serviço cansados e sentar no chão e brincar com os kids, de a mãe ter a noite com as amigas e eles ficarem com os kids e sempre ter a noite deles juntos, pra mim essa liberdade é o maximo!!!
Como os avos sao queridos e a familia sempre bem reservada, nada de ficar indo na ksa um do outro sempre, festa de kids so da kids, musicas de kids, casamentos e festa de adultos so vao os adultos, isso me encanta =)
Mas a educação é uma coisa que tem ser bem metade de uma cultura e metade da outra, sempre tirando o maximo de coisas boas das duas culturas..,
Bjao
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