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sexta-feira, 3 de julho de 2015

A doce espera do Francisco

Para quem não sabe, Francisco nasceu de 41 semanas e 4 dias digamos que ele ficou bastante tempo curtindo a barriga, no nosso padrão brasileiro de nascer "ele ficou até demais", mas a arte de quebrar padrões para buscar um nascimento digno, essa dominamos ou aprendemos a dominar.
Assim como o segundo trimestre, o terceiro começou muito bom, comecei (a passo de tartarugas) a corrigir o meu texto, fomos trabalhando no quarto do Francisco, fizemos um chá de bebê e viajamos para Marília pro Natal e em janeiro fomos para Assis. O chá foi bem simples, mas muito gostoso e significativo pra gente, passamos uma tarde com pessoas amadas, que assim como nós, estavam ansiosas com a espera do projetinho de gente. Minhas amigas da faculdade nos surpreenderam com um enxoval completo, cada vez que uso algo que elas deram, lembro do carinho e do amor que cerca o Francisco desde sempre.
Tive infecção urinária algumas vezes, única intercorrência da gravidez, continuei malhando até as 35 semanas, só parei porque a assinatura venceu e não valeria a pena renovar. Chegamos as 37 semanas, ufa! Francisco não era mais "considerado" prematuro, mal sabíamos que demoraria um mês para ele nascer. Essa semana foi decisiva, boa, ruim ao mesmo tempo. Ficamos sem água no condomínio, estava um calor infernal e às vezes pensava que não ia aguentar muito rsrs. Conhecemos uma médica humanizada que começou nos acompanhar a partir de então, tivemos a primeira consulta com a equipe de PD (a inicial foi mais uma conversa), fechamos com as doulas amadas. 
A partir daí, cada semana começava e encerrava com uma tonelada de mensagens, email, ligações perguntando quando ele iria nascer e a resposta era a mesma "quando ele quiser". Chegamos as 39 semanas, acabou a carência, uhu! E passamos das 40, 41.
Nesse intervalo teve o nosso chá de bênçãos, ultrassom natural feita pela Lua linda, contato com outras mães e uma paz me que veio de fora para dentro que me fez entender que o Francisco nasceria quando ele quisesse e ponto, e pressão nenhuma ia atrapalhar nosso momento. 
As 40 semanas chegou e com ela a notícia (linda por vários motivos) que poderíamos ter um PD. Na verdade essa foi uma semana  linda, Francisco não nasceu, mas vários bebês vieram ao mundo para encher o coração de alegria e o corpo de ocitocina. 
Parei de ser acompanhada pelo médico que eu ia, continuei com a GO humanizada e sempre mantendo as parteiras (EOs) e as doulas informadas de tudo. 
Sei que começamos a aproveitar cada dia como se fosse o último de nós dois como casal, que logo, além de casal, seríamos os pais do Francisco. Me conectei com o Fer de tal forma que não pensava que era possível, essa conexão que se intensificou ainda mais no parto. Me apaixonei mil vezes por ele, mil vezes pela barriga. Francisco continuou mexendo do seu jeito metódico, sempre mostrando que estava bem, que não precisávamos ter pressa, que ele saberia nascer na hora dele e eu saberia parir. 
A noite eu acordava muito para fazer xixi e desde as 37 semanas tinha uma dor estranha, mas durante o dia me sentia ótima. Se uma gravidez durasse 44 semanas, tirando o fato que minha barriga poderia explodir, acho que seguiríamos bem.
Eu preciso dizer que AMEI estar grávida, amei cada mudança no meu corpo, cada descoberta nova, cada sensação de gestar uma vida. Amei me cuidar, amei ser cuidada. Eu não idealizava a gravidez, achava que era algo normal que eu passaria, sempre quis saber como era, viver essa experiência, mas quando engravidei, me apaixonei. Me sentia feliz, me sentia plena, me sentia radiante. Não sei nem explicar. Sei que senti muita saudade da barriga quando o Francisco nasceu (nem se compara ao sentimento que tenho por ele).
Mas era um ritual delicioso acordar com o Fer abraçando a barriga, escutar as conversas entre eles, cada chute, cada tremor. Janeiro foi um mês muito intenso, nos preparou para o que estava por vir. Eu achava que o Francisco nasceria na primeira semana de fevereiro, tinha certeza que não nasceria antes, mas ele foi nascer no meio do mês, num domingo de carnaval, para dar um novo significado ao domingo e ao carnaval.
E assim foi a parte final da doce, deliciosa e transformadora espera do Francisco, acho que foi um anúncio do que estava por vir <3.

P.S. Não estou conseguindo carregar fotos :(
Levando o Francisco para "night"