Em meio a tantas emoções e tumultos, o tempo de calmaria foi chegando e se instalou em nossas vidas. Em julho troquei de obstetra, a primeira disse para eu procurar outro médico porque ela não "fazia" parto normal, nem vou entrar nos detalhes, mas por um lado fiquei feliz pela sinceridade, por outro me senti meio desamparada. Mas logo encontrei outro obstetra que me acompanhou até as 40 semanas.
Embora no Brasil não seja comum falar e considerar (devido a cultura cesarista), uma gravidez pode chegar tranquilamente até as 42 semanas, bem monitorada e assistida (e mesmo passar), então adotei um calendário revisado para contar os meses. O segundo trimestre ia das 14 as 28 semanas, e que trimestre delícia esse!
Quando eu era novinha, achava que seria mãe de menina, de muitas meninas! Mas com a experiência cuidando do meu irmão e sendo Au Pair, vi que menino também "era minha praia", e logo, com a minha baby vi que não tinha essa, eu seria mãe de um projetinho de gente, fosse menino ou menina, mas sentia que era uma menina, o Fer também... Era um sentido e não preferência. Toda vez que sonhava com o bebê ele era menino, aí começaram as especulações por causa da barriga, e achava um barato sabe? Menino era a maior aposta, e a expectativa de não saber era uma delícia, víamos crianças na rua e ficávamos "se for menina, será que vai ser assim? Se for menino, será que será assado?". Então cada vez mais sentia menos vontade de descobrir o sexo. Na ultrassom de 12 semanas a médica não quis chutar, mas por algum motivo encanei que era menino, com 16 semanas agendamos uma ultrassom para saber... Passei a noite anterior em claro, eu não queria fazer, o Fer queria. Todos queriam. E fui. O anúncio que nosso azeitoninha era um Francisco foi lindo, delicado, cheio de emoção. Estávamos em dúvida sobre nome. Sempre tivemos 2 nomes em mente, Sofia e Pedro, mas quando engravidei, desisti dos dois, o Fer não. Então meio que ficou acertado que eu escolheria se fosse menino, e ele menina. Eu queria Cecília e Francisco. O médico nos perguntou sobre os possíveis nome, falamos: Cecília ou Sofia e Francisco se for menino (nessa altura o Fer não estava mais tão enfático sobre Pedro), depois de um tempo o médico começou a digitar na tela e disse "pronto, agora vocês não precisam mais brigar pelo nome" e lá estava: Francisco! Ainda estávamos na dúvida do nome, mas foi espalhado em rede nacional que ele se chamaria assim, e assim ficou <3.
Demorei para assimilar que um Francisco me habitava, sei que se fosse menina o sentimento seria o mesmo, é como se a gravidez tivesse entrado em outro patamar. Fiquei muito mal depois por não ter sido forte o suficiente e feito o ultrassom mesmo não querendo tanto, o próximo filho pretendo me manter forte, quero descobrir no nascimento só.
Quando olho pro nosso projetinho de gente, não o imagino com outro nome, meu pequeno e lindo Francisco. Outro dia estávamos na clínica e além dele tinha outro Francisco, um senhor de uns 80 anos, muitos me falaram que é "um nome de velho", deve ser, mas estes "velhos" foram bebê um dia, certo?
Mesmo sabendo que ele era um menino, continuamos com o plano de uma infância neutra e múltipla, desde o quarto a cada roupa que compramos, as roupinhas "de menino" que ele tem foram ganhadas e nós amamos cada peça! Mas a maioria vai ser usado no próximo bebê, se tivermos, seja ele ou seja ela.
Não vomitei, não tive grande enjoos, fraqueza, nada. O segundo trimestre foi maravilhoso, malhava 4, 5 vezes por semana, fomos para Foz, fiz trilha, andei, cansei, mas me senti muito bem disposta. Já estava me alimentando bem porque queria engravidar e precisava perder peso (missão fail), então comer saudável foi uma delícia e determinante para nosso bem-estar. Tinha uma motivação maior para me cuidar, um filhotinho de gente que aos poucos se fez ser sentido, primeiro com a sensação de borboletas no estômago, depois cócegas, leves movimentos, até os chutes. Francisco sempre foi sistemático na barriga, calmo, tinha seus horários certos para mexer, uma delícia!
Eu não tinha idealizado a gravidez, queria viver experiência, sentir meu corpo gestando e se transformando, mas nunca imaginei que fosse algo tão intenso, tão avassalador, tão maravilhoso. Me encontrei como mulher (eu, Vanessa, não acho que a maternidade seja pré-requisito para uma mulher se sentir plena), me encontrei como namorada, me encontrei como pessoa, como filha...
Francisco deu uma lição de vida nos breves meses que me habitou, sua gravidez "prolongada" veio para me ensinar a ter paciência, a perder o controle, a me conectar comigo mesma. Cada dia foi vivido como se fosse único, e se até um ponto da gravidez eu queria que pular para o final, descobri a tempo que todo dia era o final e o começo ao mesmo tempo.
A luta por um parto humanizado nos fez ver o mundo de forma diferente, o nascimento deixou de ser o "resultado final", mas enxergamos e desejamos que fosse um processo em si, que respeitasse o nosso tempo e que permitisse ao Francisco nascer de forma respeitosa.
Descobri um Fer que não conhecia, meio leão, "zangue no zóio" com uma força sem igual para lutar para o nosso bem estar. Me apaixonei por ele cada dia mais, eu não esperava que ele fosse menos do que um ótimo pai e companheiro, mas ele foi muito além. Me transmitiu força, segurança, sensibilidade, me redobrou de amor e viveu cada pedacinho da gestação comigo, gestamos juntos nosso filhotinho de gente.
Enfim, assim descobrimos que nosso azeitoninha era um Francisco, o nosso Francisco <3(Fer acabou de chegar em casa e beijou minha barriga, que saudades da gravidez!)

0 comentários:
Postar um comentário