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Lista de Desejos

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Brasil











Logo fará um ano que cheguei nos EUA, lembro que escrevi meu último post "from Brasil" no sábado, porque ia para o aeroporto domingo cedinho e os últimos dias foram corridos, me despedindo de todos meus amigos, padrinhos, família, amor... Mas lembro que apesar de estar triste, eu estava tão empolgada, tão feliz, desacreditada, afinal, foram anos cogitando ser au pair, mais de 6 anos pensando que um dia eu moraria nos EUA e de la para ca se passaram um ano.
Quero escrever sobre meu primeiro ano aqui, mas hoje passei o dia refletindo sobre o que me fez querer vir, como estava tudo no Brasil, o que mudou de lá para cá, ja que viver aqui passou do plano da fantasia para realidade "nua e crua".
Eu terminei a faculdade ano passado, voltei para Londrina, o Fer passou no mestrado e decidimos morar juntos lá. De todas as fases do nosso namoro, morar com ele, só nós dois, foi sem dúvida o melhor de nós. Eu falo para ele, mas ele nunca acredita... Em Assis quando vi a nossa casa, eu senti que era aquela e fomos felizes 2 anos lá e lembro quando passamos em frente do apartamento, que ficamos super felizes, mas ele já estava reservado e quando a tia da imobiliaria me ligou, fiquei tão feliz! Quando olhamos por dentro, pronto, era ali, o nosso novo lar e aos poucos fomos acertando cada detalhe.
Nossa rotina era uma delícia, simples, mas delícia. Ir ao mercado, feira, encontrar os amigos no bar ou em casa, ir para faculdade... Além de visitar e mimar minha vó linda e passar metade da semana lá, dar aula, ir para o inglês. Se tem uma palavra que define 2011 período pré embarque é "plenitude", leia-se tranquilidade, paz, felicidade, amor e etc...
No meio desta calmaria toda, eu queria ser Au Pair, mas estava tão feliz que se não embarcasse até agosto, eu não viria mais e mesmo assim estaria feliz e realizada. Mas aí vocês podem perceber que deu certo, conheci a familia dos meus sonhos em maio (depois de sofrer uma rejeição, da familia que parecia sonho, mas não é) e dia 31 de julho voei para os Estados Unidos.
2011 foi intenso também, teve minha colação, minha formatura, aquele choro dolorido ao despedir das minhas amigas de faculdade, choro ao despedir da Rosane justo no ano que voltei para casa. 2011 foi quando aprendi a viver sem meu irmãozinho (que foi para o Japão), que levei um susto quando vi sobre o tsunami na TV.
Foi um ano familia, de amigos, que voltei para minha "casa", acalmei meu coração e vivi de forma feliz cada dia, cada reencontro com as velhas amizades, que curti meus padrinhos, minha vó, que amei, amei, amei e amei mais o Fer. 2011 antes de ser Au Pair foi um ano tão lindo, tão doce e tem que ter muita coragem e um pouco de loucura para abrir mão de tudo, na verdade eu vim porque acreditava que o restante do ano seria ótimo e 2012 inesquecível. Mas aí é história para o próximo post.

Vou deixar registrado um texto que escrevi poucas semanas antes de vir, algum dia qualquer de julho de 2011.

E mais uma vez é hora de dizer adeus, ainda tenho algum tempo, mas sei que passará voando e é nesta hora que queria ter o poder de congelar o tempo, de parar as horas, de fazer cada momento se tornar uma eternidade, porque quando é certo, não há nada que impedirá de acontecer.

Não que esteja triste, mas nunca se pode ser feliz por completo e ter consciência desta não-totalidade já me faz feliz e ser mais forte. Não existe isto ou aquilo, é isto e aquilo, é ansiedade e saudade, é felicidade e tristeza, é a vontade de ir e a vontade de ficar, é a vontade incessante de viver algo novo e o desejo de me apegar a cada dia mais com o que já tenho, é ficar longe e estar perto ao mesmo tempo. Com tantos e´s me sinto completa e tranqüila para ir e saber que vou voltar.

É amar e amar e apenas amar, aqui não existe brechas, eu não aceito brechas eu só quero alguém.

Agora é uma partida voluntária, por um lugar desconhecido e sozinha. Mas vou com o coração cheio de vontade, cheio de saudade, cheio de amor, cheio de amizade, então de certa forma não vou estar sozinha. E outras pessoas se somarão a minha vida, outros momentos, outros lugares, outros medos, é hora de ir sempre em frente, seja a direção que você escolher.

Na minha bagagem eu levo o amor, é tudo que eu preciso levar. E dividirei meu coração em pedaços independentes, que ficarão aqui para quando eu voltar. Porque quando se tem amor, não é preciso ter muita coisa. Amor de amigo, amor de família são amores óbvios, precisam de cuidados, mas são amores incondicionais. Mas posso me considerar tão sortuda que tenho mais um amor para acrescentar na lista destes amores, o amor de um amor, e se um dia ele era incerto, hoje faz parte de toda e qualquer certeza de que sempre estará comigo, que sempre será meu e eu sempre serei dele que com ele quero viver todos os meus clichês.

E mesmo difícil, assim fica mais fácil dizer adeus. Fácil porque não se pode atingir a tristeza, quando alguém que esta com você só te proporciona felicidade, respeito, amor, amizade. Fica mais fácil sonhar, fazer planos de visita, de viagens, fica mais fácil mudar o adeus para um até logo. Sou a pessoa mais sortuda por ter o melhor amor do mundo, amor emocional, amor personalizado em uma pessoa pra lá de especial.

Dos amigos já sinto saudade, e algumas vezes me sinto chateada com a vida de encontrar pessoas tão lindas e em um certo momento ter que dizer adeus! Mas se conseguimos mantê-las é porque tinha que ser, e aí não tem jeito. Vou sentir saudade de cada sorriso, cada palhaçada, cada abraço, cada choro, assim como já sinto saudade de estar longe de tantas pessoas especiais, mas elas são especiais justamente por me fazer sentir tanta coisa, mesmo que separado espacialmente. Cada amigo que conheci, cada pessoa que entrou em minha vida, me marcou muito, não digo nas lembranças, mas me fizeram mudar um pouco. Seja na forma de falar, de me comportar, de ver o mundo, de ser mais paciente, de aceitar mais as diferenças, de me tornar uma pessoa melhor, ainda que de forma gradual.

Se tem algo abstrato que convivi desde pequena foi esta tal de saudade, da distância, de saber que nem sempre, ou quase nunca, posso ter tudo e todos comigo. E assim aprendi o verdadeiro sentido de tantas coisas e caminhos.



1 comentários:

Esther Diniz disse...

Oi Vanessa! *-*
Tenho acompanhado o seu blog mas nunca comentei..
Quero dizer que adoro ver você e suas histórias... Ver as suas fotos sorrindo é a coisa mais fofa. Fico feliz que você está nessa família e que o seu trajeto está indo bem como deve ser! Fico feliz mesmo.. embora a gente não se conheça. Fico feliz também por você ser mais uma Au Pair que não difama nossa imagem de Au PAir do Brasil no exterior. Por ser simplismente o que você é...
Meu nome é Ester, sou de Santa Catarina e ainda não sou Au Pair mas to bem próxima disso. Escreve sempre! :)
Um beijo no coração