“Nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes, porque nem o homem nem o rio são os mesmos.”
– Heráclito
Boa tarde gente, tudo bem?
Aqui estamos bem, bebê só que cresce, dissertação encaminhada para qualificação (que será no fim do mês), mas ainda temos muito o que fazer até o mestrado acabar. E claro, o amor vai muito bem, lindo, louro e magrelo como sempre, e me fazendo muito feliz!
Sobre a vida é isto.
Mas sobre a vida e o assunto principal do blog, ainda tem muito pano pra manga!
Sexta passada consegui ver as crianças (thanks Patty :D), gente do céu, a I está enorme, linda, sapeca, cantando loucamente a música do Frozen, claro! Muito delícia conversar com ela. O M está um rapazinho, já não tem nada daquele menininho arteiro, está alto, com rostinho diferente, sem um dente, mas lindo como sempre. Ô saudades.
Eu só queria registrar o que muita gente sabe, passou por isto ou está passando. Quando você volta, a vida nunca mais será a mesma. Penso em todas as minhas amigas que voltaram para o Brasil sem querer voltar, ou não se adaptar e como deve ser difícil, porque sei muito bem o que é estar num lugar, com coração e cabeça em outro. Eu voltei certa da minha decisão, para recomeçar em vários sentidos; amor, profissão, vida adulta, enfim!
E agora, com o Francisco (este é o nome do nosso filhotinho de gente gostoso), a vida já tem um sentido, um peso (mas não da forma negativa), ao mesmo tempo uma leveza maravilhosa. É felicidade gratuita, é amor, é tudo ao mesmo tempo <3.
Mas vocês acham que estar casada, com um bebê a caminho e a vida meio "certinha" é motivo para aquietar a mente? Nunca! Não para quem já viveu o gostinho que é andar pelo mundo. Amo o Brasil com todo amor, é aqui o meu lugar, o melhor do mundo, mas isto não anula minha vontade de viver o novo, ainda mais quando você não está sozinha nesse desejo e jornada.
Ter sido Au Pair faz com que o coração viva sempre divido, confunde a lembrança com saudade, a tristeza com a vontade de voltar e viver tudo mais um pouco. É viver o paradoxo de ficar imensamente feliz e triste ao ver sua host family, é fechar os olhos e sentir como se estivesse andando em uma rua qualquer que você costumava andar.
Ter sido Au Pair me fez ver o mundo de outra forma, de uma forma mais altruísta, mais humana, porque lá eu tive chance de viver o melhor e o pior de muitas situações.
Você sente coisas que ninguém entende (a menos que tenha vivido o mesmo) e às vezes pode parecer indecisa, maluca, saudosista demais, mas não tem como dissociar o que você viveu, do que você se tornou. É uma situação difícil e ao mesmo tempo maravilhosa, que eu não trocaria por certeza nenhuma.
Sei que depois dessa experiência, sempre olho para vida observando qualquer oportunidade para poder viver, explorar mais um pouco e mais uma vez, não me arrepender com o "e se eu tivesse feito".
E assim, eu concluo, a vida realmente não será a mesma. Eu mudei, ela me mudou e jamais voltaria atrás.

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