Hoje eu comentei com a minha amiga, que às vezes, só às vezes, eu queria ser diferente! Eu queria ser tranquila, passiva, eu queria viver a vida da forma mais simples, fácil. Ser uma pessoa menos teimosa, uma pessoa menos aflita com o mundo, uma pessoa mais conformada. Talvez, mas muito talvezmente, eu seria uma pessoa mais feliz.
Nasci assim, com a alma inquieta, coração descomportado, mente sempre funcionando, a mil, a cem mil por hora! De fora parece fácil, mas no fundo é, porque não é cena, eu sou assim, eu nasci assim e me materializei em uma das pessoas mais teimosas que eu conheço. Sou teimosa e quero agora, sou teimosa e inconformada, para o bem e para o mal. Mesmo para o mal, na verdade é para o bem, porque no fundo eu sei que jamais viveria a vida de forma incompleta, parcial.
Mas eu sou sensível, mas eu sou forte, mas eu quero o mundo, mas às vezes eu desisto antes de se tornar realidade. Na verdade eu desisto se não for o que eu realmente quero. Sou geminiada e indecisa, mas eu sei muito bem o que quero e faço valer minhas vontades.
Foi assim quando vim para o Brasil com 15 anos e aos 16 implorei uma vaga no Champagnat, foi assim que conquistei a amizade de alguns professores e a antipátia de outro. Assim que fui sozinha para Porto Alegre, que cheguei em Assis com 50 reais na carteira, sem conhecer ninguém e sem ter onde morar. Foi por isto que briguei para ter aulas, que dormi no saguão de letras, que briguei tanto com o Fer e com a minha mãe. E sou teimosa.
Teimei que ainda conheceria aquela terra familiar de filme, que conheceria a Europa, que abraçaria o mundo e que faria novas amizades. Foi assim que tirei forças do além e dele, para estudar, para passar, para voltar e começar minha vida aqui. Sendo teiomosa estou sofrendo mais uma vez, na pele, de forma bem dolorida, o preço de ser ouvida neste mundo meio cruel.
Mas teimosa do jeito que sou, eu ainda acredito na justiça, eu acredito nas pessoas, eu acredito no amor! Em relação a este parei de ser teimosa, ele me conquistou e sou dele, e ponto.
Quando comecei a escrever aqui, eu queria ser quem eu não sou, pra buscar uma felicidade que não seria a minha felicidade e uma passividade que jamais fará parte de mim. Eu posso ter conhecido um outro lado, posso ser aquela "sweet girl" que minha família tanto falava, mas ainda me surpreendo com o grau de convicção que eu acredito e luto pelas coisas. Mas aprendi também a ceder um pouco, desde que seja algo de dentro pra fora, nunca imposto.
Eu precisava disto, de falar, falar, falar. Ser quem eu não sou não resolverá meus problemas, mesmo que o "meu ser" seja o causador deles. Mas é só um sinal de alerta quanto eu quero ser o que não sou.

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